VI·O·LÊN·CI·A DO·MÉS·TI·CA

Começa-se por tentar perceber o que Violência Doméstica significa e muitas questões surgem, crescem nuances susceptíveis a interpretação e aparece uma enorme fronteira que separa idealistas e conservadores, na forma como abordam a matéria publicamente. É de realçar o progresso conseguido ao longo das últimas quatro décadas, no esforço das pessoas envolvidas, nas leis e nos planos que, entretanto foram criadas e implementados.

Porém e para além do que já foi feito muito há a fazer, esperando-se que com o evoluir dos diferentes domínios técnicos e das relações interdisciplinares, as respostas sejam mais assertivas e atempadas, mais integradoras que punitivas e que respeitem o Indivíduo e seja-lhe atribuído os seus Direitos enquanto Cidadão e Ser Humano.

A fim de retratar o tema da Violência Doméstica, tentei identificar o que entendo ser a esfera emotiva; reconhecer um padrão psico-reactivo, ora do agressor, ora da vítima; conceber uma narrativa que retratasse tanto as agressões físicas como as psicológicas.

Abordo o tema através de uma série de sete fotografias, que tem por nome «rai·o X», onde exploro certos estados de espírito, patologias, acções e pensamentos. O nome da série surge do material usado na produção das obras, i.e., Raios x de vítimas de acidente ou possíveis vítimas de violência. O Raio x, enquanto tecnologia, permite expor o invisível, revelando traumas e abusos.

«Por vezes, vê-se. Dói sempre.»

Foi a partir da frase acima que nasceu o conceito para o projecto. A violência nem sempre é exposta ou visível, contudo existe para quem a sofre. Desejo, então, integrar e interpretar todas as manifestações e formas de Violência, neste caso, a Doméstica— e não dar especial atenção ao conceito redutor da violência doméstica só compreender um casal e abranger e homenagear todas as vítimas: filhos, avós, namorados, casais, etc.



O conjunto da obra são fotografias idealizadas num contexto próprio de criação e exploração de meios de expressão. A ideia de poder estar a fotografar um Raio x de uma possível vítima de violência, por si só, já encerra uma infinidade de sensações desagradáveis.

Com a série «rai·o X» espero perturbar o espectador e incomodá-lo à reflexão. Convidar pela estranheza da cena retratada; interrogar pela coragem de uma imagem que retrata um Raio x de uma vítima (?) acabar exposta; desafiar à compreensão as questões da dor e solidão.

A série «rai·o X» compreende sete fotografias, cada peça tem um título. Os títulos escolhidos são inspirados em escritos relativos aos “Sete Pecados Capitais” segundo a religião Cristã.


‘Assédio | Ciúme | Manipulação | Traição
Possessão | Agressividade | Paranóia’


A série «rai·o X» foi exposta no dia 20 de Outubro de 2016, em contexto colaborativo, na assinatura do protocolo “constituição da Rede Local contra a Violência Doméstica”, no âmbito do projeto “Escutar Silêncios”, na Biblioteca Municipal Manuel Alegre, Águeda.

E, também, do dia 29 de Novembro até o dia 31 de Dezembro de 2017, na Loja do Cidadão de Aveiro, de modo a assinalar o “Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência”, a convite do Centro Social Paroquial da Vera Cruz, Aveiro.



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PA/I [+ S2]

Área Impressa: 24,1cm x 36,2cm | Área Física: 29,7cm x 42cm

HW: Canon EOS 450D / EF – S18 – 55mm f/ 3.5 – 5.6 IS + Raios X
SW: Adobe CC Photoshop 2015 / Adobe CC Illustrator 2015


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